@Title: Potemkine
@File: ppubmn07
@Participants:
ALV, Álvaro, (man, C, 1, worker, interviewed, Marinha Grande)
@Date: 00/00/1974
@Place: Marinha Grande/Leiria
@Situation:
comment about the relation between politics and cinema
@Topic: Talking
about a movie (Couraçado Potemkine)
@Source: Português Fundamental (PF)
@Class: informal, public, monologue
@Length: 05'06''
@Words: 615
@Acoustic_quality: C
@Transcriber: PF/Nuno Martins
@Revisor: Nuno Martins/Rita Veloso
@Comments:
*ALV: eu penso que "o couraçado de Potemkine" é uma
pequena parte do início da / da tomada do poder pelos trabalhadores / pelos
camponeses / pelos operários / pelo povo soviético // penso que apesar de tudo
/ apesar de se pensar que é uma obra fundamental da história dessa mesma
revolução / do meu ponto de vista ela é bastante &limitad / na medida em
que não coloca ao espectador o processo &início / inicial que conduziu
àquela situação // revela por outro lado as fraquezas de / da / das tomadas de
posição de força desde que não sejam organizadas / revela ainda / portanto /
que para se triunfar / para se vencer qualquer &mo / em qualquer movimento
é necessário uma organização bastante poderosa / bastante forte e
fundamentalmente o / apoiada por todas as forças interessadas na transformação
social // o "couraçado Potemkine" apresenta só a / a armada / &so
/ uma / uma pequena parte da armada soviética / numa tentativa de se libertar
da opressão / não procura objectivamente conquistar o poder político / não
procura conquistar o poder económico // é uma tentativa de libertação face à
repressão / face à opressão que lhe é feita por homens / não se revolta contra
um poder constituído / não ataca as estruturas fundamentais // aliás há
situações bastante caricatas no filme / é / por exemplo / o caso do / da
religião // temos que quando surge a / a / a cruz / que eu penso que será a
cruz da ortodoxia cristã / ela vem colocar o poder espiritual / primeiro ao
lado do poder político / ao lado dos opressores do povo // no processo / portanto
/ que se pensa ser revolucionário / essa / esse / essa mesma igreja procura
habilidosamente esconder-se / e neste esconder-se não é mais do que uma
tentativa de se camuflar no sentido de no futuro tomar de novo conta das rédeas
/ de se colar ao / à / ao processo evolutivo // a / depois temos ainda uma
outra situação / que há que analisar / que é a chegada do couraçado Potemkine
ao porto de Odessa // aí nota-se claramente que apesar de os tripulantes do
couraçado / &eh / se / estarem já libertos eles / da opressão que subjugava
o povo russo / isso não acontecia em relação às próprias populações / pois que
/ apesar de haver greves gerais / apesar de o povo / os trabalhadores e os
camponeses estarem a / em luta contra o sistema económico que os oprimia / não estavam
organizados de forma política capaz de vencer a / a repressão / capaz de / de
transformarem as estruturas que os exploravam e que os oprimiam // portanto aí
/ o filme indica-nos também de que os trabalhadores e os operários terão que
encontrar formas organizadas mas capazes de / de terem nas suas mãos a força
das armas / quer seja em termos de ser ele / povo / a pegar em armas / quer
seja em termos de ele / povo / se treinar nas escolas ou no exército / ou / ou
/ em milícias populares / o que é importante é que para se tomar o &po /
para que os trabalhadores e os operários tomem o poder é necessário que se
armem / que se treinem / que se / que / que / que se apoderem da força de fogo
que há-de em última análise derrubar os governos que os oprimem e que os
exploram // &ah / o filme também não nos diz / e aí ilude um bocadinho a /
a realidade de que / apesar de todo o esforço / os soldados e os marinheiros do
couraçado Potemkine foram esmagados pela força / pela força do poder / do poder
político internacional / pela força do poder económico do