@Title:
@File: ppubmn01
@Participants:
MAR, Maria, (woman, B, 3, neurologist, interviewed, Lamego/Lisbon), TER,
Teresa, (woman, B, 3, researcher, interviewer, Lisbon)
@Date: 00/00/1970
@Place: Lisbon
@Situation:
conversation between friends
@Topic: motherhood
@Source: Português
Fundamental
@Class: informal,
public, monologue
@Length: 07'55''
@Words: 1.113
@Acoustic_quality: C
@Transcriber: PF
@Revisor: Sandra Antunes
@Comments: the
informant (MAR) lives in Lisbon since she was 4 years old.
*MAR: &eh /
ter um filho é uma experiência / muito interessante / &eh / para mim
*INT: &fo /
&eh / foi o primeiro filho que teve?
*MAR: foi //
&eh / para mim / &eh / deu-me a noção exacta do verdadeiro sentido da
vida // até aqui / &eh / viver para mim era uma coisa totalmente diferente
do que é hoje // &eh / foi &extraordinaria / &eh / &mente /
importante a experiência / foi &extraordinária / &imp /
extraordinariamente importante a experiência / &eh / de sentir um ser dentro
de nós / &eh / todas as mulheres / embora tenham uma ideia da / da
maternidade está muito distanciada do / do que é realmente sentir a maternidade
// &eh
*INT: e já há muito tempo que / que decidiu ter um filho?
*MAR: já //
*INT: &eh / e nunca tinha tido?
*MAR: não // &eh / eu hoje / &eh / reflecti muito sobre a
arbitrariedade da maternidade / dispomos de um ser / e sobre ele podemos
exercer tudo / e isto pareceu-me extremamente injusto / é sermos masoquistas
sádicos / é sermos maus bons / &eh / proteccionistas / desmazelados /
ineficazes / &eh / amorosos / &eh / termos uma série de atitudes / que
podem ser perfeitamente arbitrárias / e fazerem tanto bem ou mal a uma criança
/ mas o que é certo é que não / não me parece que possamos / &eh / ter
muitas / variantes / parece-me que só está à nossa disposição fazer bem / ou
fazer mal / sem contudo termos a noção exacta de quando é que estamos a fazer
bem ou quando estamos a fazer mal // &eh / isto hoje fez-me pensar /
&fa / fez-me pensar / muito / &eh / e achei bastante injusto / gostaria
que isto se modificasse e pensei como é que se poderia modificar / e / e não vi
solução // &eh / isto hoje perturbou-me um bocado / foi talvez o / o / que
me tivesse feito mais reflectir nestes últimos dois meses / desde que,
realmente o João existe //
*INT: e / e como é / e / e chegou a alguma solução? hhh
*MAR: hhh / não cheguei a solução nenhuma importante // pareceu-me
é que / é / talvez seja &mu / muito complexo // &eh / nós querermos
atingir uma solução no fim / os &intelectua / parece que ao mesmo tempo que
estragam a vida / o que é preciso é viver amar as pessoas / talvez o caminho
mais certo seja sempre amar sem pensar se está a fazer bem ou se está a fazer
mal / se for amar / é quase sempre / com certeza que é bem //
*INT: até acho que sim e / mas em relação ao seu filho assim já
agora / que existe já como pessoa / &eh / sente ainda medo / esse / esse
tipo de medo?
*MAR: sim / tenho / todas as pessoas / &eh / um pouco
conscientes têm medo / têm medo de errar têm medo de / de fazer disparates //
&eh / nós só realmente damos / damos &intere / temos o verdadeiro /
&eh / interesse por uma criança quando ela é nossa // porque até aí pegar
nela /, dar-lhe banho dar-lhe de comer não